Lembro do esperado Desfile da Semana Pátria dos meus tempos de criança, a Parada da Juventude, que mesmo obrigatória e meio a contra-gosto, era também motivo de festa, claro, foi uma infância/adolescencia ufanista embalada pela imposta "eu te amo meu país ..." , característica do período militar, mas mesmo assim amparada em um sentido cívico até nestes descontentamentos, a favor ou contra, governo ou oposição mantinha-se a fé e justificava-se a mística inspirada pelos símbolos nacionais. Em torno a tudo, marcaram os encontros na Avenida, namoros no Altar da Pátria, as novidades como dormir em barraca de escoteiros ou vender churrasquinho e ajudar a escola. Agora vejo com tristeza, e só pela TV, o contraponto atual a tudo isso, falsos desfiles que enterram os restos de esperança onde não há mais símbolos a serem respeitados, nem nos brasões, nem nas autoridades pífias, chafurdadas em corrupção e escandalos grosseiros. Não fosse por este aparelho, pelos noticiários que misturam imagens de protestos, marchas e cavalos, teria até esquecido, eu e meus filhos, mas pelo menos para eles, mesmo que não entendam a causa, hoje é feriado.