Comecei bem! Agora mesmo, e aqui, depois de algumas laudas de fatos, no w.bloggar que não salva automático, uma queda de luz leva tudo, e se quiser publicar novamente terei que redigitar o tormento.Vou resumir se possível, era sobre o Novo Ano que desde a véspera anuncia, depois de esperada oportunidade, o reencontro em familiar churrasco, interrompido por um arbitrário assalto a casa de meu irmão. Era 30 para 31, depois de alguma espera, populares aglomerados, tiros dados no escuro e ânimos exaltados, estávamos ali cercados por policiais diversos, policia civil e brigada, coletes e homens bem armados, forças especiais misteriosas, até um tal "homem preparado", um civil aparentando desorientado encenando ação da SWAT, além do vizinho eremita, que surgiu inesperado, apenas para dar um tiro e quase acertar o salteador, ressabiado. Este fugiu num risco, voou pelas cercas e telhado, deixou pequena marca de sangue ou algo orgânico assemelhado. Passada a prima aventura, insólito e marcante movimento, leva os sustos em fatos de medo que não permitem o relaxamento, o churrasco foi comido na insistência, frio e há muito passado mas ficou uma história quente, a prenunciar o tempo esperado.
Também começo o ano de trabalho, plantão no dia primeiro, a madrugada quer ser anômala empurrada até a horas, meio seriado médico, um pouco de sessão de descarrego, não reconheço os sintomas das costumeiras beberagens prevalecemsim outras suspeitas de doenças raras e graves, uma delas infecciosa mobiliza parte da cidade que acompanha em romaria, um menino tão saudável, que sob a dúvida de uma crise, convulsiva eletricidade, chegou mordendo e cuspindo, vomitando e repetindo frases, desconexo de qualquer realidade, ao melhor estilo de exorcismo, o menor também foi amarrado, ainda se fosse em outra época, teria no fogo acabado, mas o jovem era filho e neto, de munícipes abastados, mesmo assim não foi poupado e como um cão condenado, a que todos tivessem asco, foi distribuído um preventivo e eu também fui medicado. Ânimos abrandados, mesmo que sem diagnóstico confirmado, parto para o meu outro porto seguro, um segundo local de trabalho. Zona rural, quem diria , estava desesperado, queria chegar depressa, seria um dia lindo já pelo raiar ensolarado, aguardo lá meu povo hígido, calmo mesmo pouco civilizado, no máximo espinhela caída ou um dedo destroncado. Engano, o primeiro contato, da tal manhã iluminada, tanta confusão que a precede deixou minha vista contrariada. Vendo tudo misturado custei distinguir luz e conteúdo, o que era direito estava esquerdo e que era alto rebaixado, e o que de falso enxergasse, difícil de ser identificado, dormiam em protesto meus músculos oculares, mas um mantra me convencia, não devia ficar contaminado, insisti em procurar minha parada, a do ônibus a fazer o translado, embora não aproveitasse edílica e prazerosa paisagem, sabia que estaria tranqüilo ao chegar no consultório. Uma pequena cretinice no trajeto da paragem, usei de desavisada idosa para atravessar as vias, ela se julgando amparada, eu roubando suas imagens. Mas não durou muito, como já estou a costumado, e antes que depressão tropeçasse, já estava mais clareado. A visão do dia é claro. Claro, não há normalidade além da esperava de fora, e cheguei meio entusiasmado a contar minhas novas. Mas, nem tudo foi tão manso, já havia um alterado, talvez por uma ceia mal dada, ou desavença com a namorada, e reclamava aos quatro cantos ameaçando a gurizada, isso incluía minha demora, soubesse da vista disparatada, exigindo direito prioritário com uma queixa de guampa virada. Perdi a ilusão e o encanto, carregava a nuvem da entrada, antes pelo que já prenunciava, alento, feito tourada, domei o inapropriado mas antes que gozasse a gloria ficava tudo revirado, vascolejo, vascolejado. Uma gestante, branca, tonta, caída, azamboada, mal conseguira dizer o nome até de brusco quedada. Não achei sequer um pulso, pressão indeterminada, da criança nem ruído pela barriga avantajada. Era um choque adventício num lugar tão sossegado, estaria sem suporte para enfrentar o inesperado. Tantas massagens improvisadas, um calor extenuante, me desfaleço em sudorese, mas não desisto um só instante, morto eu extasiado, até sentir um pulso fraco, o dela que voltava a vida , o nosso de tão cansado. Depois a espera de outro socorro, até dar o dia por encerrado, pegar outro ônibus para a volta e o sentido de dever prestado. Mas se tudo é passageiro, este estava tão lotado, e o que seria uma trégua, um sono fortuito e roubado, tornou-se novo martírio de ficar solto, em pé, bobo balanceado. E passavam viajantes,quase todos atolados, não havia algum espaço, colono, pouco banho foi tomado, as janelas são lacradas, odeio ar condicionado, já havia alguns doentes, quase todos enjoados. Os meus olhos responderam, um protesto revoltado, voltei a ficar estrábico só que agora enlatado. Uma gorda, só podia, sem qualquer constrangimento, arrastou minha cintura pondo os pés a força em movimento e cai sob uns sentados, quase no colo de um moreno que me olhando atravessado desprezoumeu sofrimento. Agarrei-me no postigo da saída, emergência anunciada, pinga o rosto, viro a cara, sem perceber óleo gosmento, estava sujo, preta graxa, agora a testa, óculos, do moreno maculada a camisa apoiada. Alívio, alguns desceram pelo caminho nas paradas, sobra um espaço uma cadeira, e respiro, asfixiado da gestante vem a imagem. Minhas mãos escurecidas, cuspe, esfrego a fronte, limpo um gato se lambe sem maldade, preciso seguir adiante. Então, me sinto confortável, há uma marca desenhada entra a unha e um resto de carne, uso dentes tiro fácil, esqueci o meu bruxismo, falta cálcio sobra idade, este mesmo descontente, quebra-se e voa sutil pedaço, fica a brecha, um buraco, bem na frente, calamidade. Era só o que faltava, escondo de vez a face, já não sei o que é que faço, preciso chegar em casa, desfazer este despacho, mas me finjo sorridente, no mantra que não me esqueço, e repito mentalmente: "o ano esta começando, não posso ficar chateado, se me entrego nestes dias o resto vai dar errado..." O resto foi o dentista, o terceiro a ser procurado, a tarde que não deu descanso, outro plantão atribulado, mas houve também encontros, afetos reconquistados, me detive nos detalhes, talvez o preço do que é bom e que depois vem descontado. Por isso e apesar disso, desejo a todos um Bom Ano e que sempre sobre algo para ser contado.