A vida é a arte do encontro, diria Vinicius de Moraes, e eu aqui, muitas vezes incompreendido, criticado e por vezes ridicularizado, vítima de comentários futeis e preconceitos tolos, tudo por que e por tudo, sofro da ausência de uma verdadeira identidade, isso é verdade, até mesmo entre meus pares, e me faço exigida em ter que explicar o obvio, o nato, a essênca do comportamento e ato. Afinal nem tão farto e corpulento que ocupe espaço, mas nada leve que permita-se ocultar na sutileza, assumo, sou uma espécime diferenciada, muito, e cada vez mais, morsa da alma, pouco sobra da corpulenta massa, que mingua, num esforço recompensado de fome mas que de troca expande no temperamento próprio que, as vezes só, individualiza tanto que permite lamentar o estigma a justificar a marca. Era assim até ontem, ter que apreciar o nato, fazer traduzir o instinto, como se ser já fosse impróprio, pobre animal, que não merece auto-piedade, mas que apenas vive do desejo de ser simplesmente próximo. Então, inesperado, na taberna da Didi, em improvável ambiente nosocomial que nos cerca, pleno no momento em que mais uma destas comédias preparava-se para ser contada, quase no ápice da exposição depreciativa e caricata, escuta alguém cuja história logo se reflete e volta, demonstra certo a compreensão e o apreço, o falador, menestrel malvado da fofoca, o mesmo "amigo" que aos pulos vive de fazer troça na projeção de alheia imagens, também percebe, e cala, agora, voltando aqui a curta, mas verdadeira frase, formatando o sentido daquele poeta sábio, interrompe breve por inesperada fala: "mas sou eu também este belo personagem!", de forma terna a criatura e calma, que, sem precisar de muito completava imagens, transforma em mágica a avaliação dos fatos. Falarei mais sobre ela, se assim for permitido, mas já afirmo seguro, 'como fui compreendido!". Acho que achei a minha morsa gêmea, nem que seja o único exemplar perdido, mas estou feliz e por hora realizado.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006
Morsa Gêmea
A vida é a arte do encontro, diria Vinicius de Moraes, e eu aqui, muitas vezes incompreendido, criticado e por vezes ridicularizado, vítima de comentários futeis e preconceitos tolos, tudo por que e por tudo, sofro da ausência de uma verdadeira identidade, isso é verdade, até mesmo entre meus pares, e me faço exigida em ter que explicar o obvio, o nato, a essênca do comportamento e ato. Afinal nem tão farto e corpulento que ocupe espaço, mas nada leve que permita-se ocultar na sutileza, assumo, sou uma espécime diferenciada, muito, e cada vez mais, morsa da alma, pouco sobra da corpulenta massa, que mingua, num esforço recompensado de fome mas que de troca expande no temperamento próprio que, as vezes só, individualiza tanto que permite lamentar o estigma a justificar a marca. Era assim até ontem, ter que apreciar o nato, fazer traduzir o instinto, como se ser já fosse impróprio, pobre animal, que não merece auto-piedade, mas que apenas vive do desejo de ser simplesmente próximo. Então, inesperado, na taberna da Didi, em improvável ambiente nosocomial que nos cerca, pleno no momento em que mais uma destas comédias preparava-se para ser contada, quase no ápice da exposição depreciativa e caricata, escuta alguém cuja história logo se reflete e volta, demonstra certo a compreensão e o apreço, o falador, menestrel malvado da fofoca, o mesmo "amigo" que aos pulos vive de fazer troça na projeção de alheia imagens, também percebe, e cala, agora, voltando aqui a curta, mas verdadeira frase, formatando o sentido daquele poeta sábio, interrompe breve por inesperada fala: "mas sou eu também este belo personagem!", de forma terna a criatura e calma, que, sem precisar de muito completava imagens, transforma em mágica a avaliação dos fatos. Falarei mais sobre ela, se assim for permitido, mas já afirmo seguro, 'como fui compreendido!". Acho que achei a minha morsa gêmea, nem que seja o único exemplar perdido, mas estou feliz e por hora realizado.