Foi arrumando as gavetas, junto com alguns documentos antigos que ja deviam ter sido desprezados, que encontrei, quase que por acaso, fotos minhas e alguns escritos antigos, não tanto pela imagem, já que morsas não envelhecem fisicamente pois continuo com a mesma cútis da juventude, claro, nunca tive uma pele de pessego nem o charme de um Mob Dick, mas, desde criança, acostumei-me com esta particular aparencia, confesso ter ficado triste quando chamado de lixinha, ou penhascoso, como alguns mais eruditos amigos me implicavam, evitei algumas fêmeas que me julgavam abrasivo, mas não importa, com isso permaneci igual na casca, protegido neste involucro presenteado pela natureza, o que mudou mesmo foi o resto, aquilo que me detive e li, registrado naqueles antigos papeis guardados, sei lá porque fiz questão de preserva-los, são obras de um animal atormentado, nitidamente confuso, desorientado, talvez uma morsa não querendo mais ser morsa, percebi isso bem nas entrelinhas, uma clara insatisfação pela espécie, misto de busca e de abandono, pobre bicho, a carência saltava naquelas linhas, um incompreendido que tendo nascido para viver nos articos insistia em permanecer nos trópicos.Difícil convivência, outros hábitos, costumes permanentemente adaptados. Mas morsas também tem os seus talentos, o que dizer de sua amável personalidade, comunicativas, talvez um pouco espaçosas, mas poderia que deveria e podia ter aproveitado melhor suas qualidades, mas, o que fazer , eram outras épocas, climas como as estações mudam só com o tempo, e mesmo com o olhar distante sobre a pedra surgiram estas possibilidades. Não me vejo nos guardados, sinto-me um bicho mais realizado, até vou queimar estes papeis, mas vou manter os meus retratos, afinal tiro proveito da figura, e retiro de vez este anuncio, não preciso ser adotado.
quarta-feira, 22 de março de 2006
Abrace uma MOrsa
Foi arrumando as gavetas, junto com alguns documentos antigos que ja deviam ter sido desprezados, que encontrei, quase que por acaso, fotos minhas e alguns escritos antigos, não tanto pela imagem, já que morsas não envelhecem fisicamente pois continuo com a mesma cútis da juventude, claro, nunca tive uma pele de pessego nem o charme de um Mob Dick, mas, desde criança, acostumei-me com esta particular aparencia, confesso ter ficado triste quando chamado de lixinha, ou penhascoso, como alguns mais eruditos amigos me implicavam, evitei algumas fêmeas que me julgavam abrasivo, mas não importa, com isso permaneci igual na casca, protegido neste involucro presenteado pela natureza, o que mudou mesmo foi o resto, aquilo que me detive e li, registrado naqueles antigos papeis guardados, sei lá porque fiz questão de preserva-los, são obras de um animal atormentado, nitidamente confuso, desorientado, talvez uma morsa não querendo mais ser morsa, percebi isso bem nas entrelinhas, uma clara insatisfação pela espécie, misto de busca e de abandono, pobre bicho, a carência saltava naquelas linhas, um incompreendido que tendo nascido para viver nos articos insistia em permanecer nos trópicos.Difícil convivência, outros hábitos, costumes permanentemente adaptados. Mas morsas também tem os seus talentos, o que dizer de sua amável personalidade, comunicativas, talvez um pouco espaçosas, mas poderia que deveria e podia ter aproveitado melhor suas qualidades, mas, o que fazer , eram outras épocas, climas como as estações mudam só com o tempo, e mesmo com o olhar distante sobre a pedra surgiram estas possibilidades. Não me vejo nos guardados, sinto-me um bicho mais realizado, até vou queimar estes papeis, mas vou manter os meus retratos, afinal tiro proveito da figura, e retiro de vez este anuncio, não preciso ser adotado.